A Primeira Grande Viagem de Abraão
Abraão era um jovem goiano de 21 anos que cresceu admirando mapas, rodovias e ônibus interestaduais. Enquanto muitos sonhavam em comprar um carro ou uma motocicleta, ele sonhava em conhecer o Brasil pela janela de um ônibus. Viajar significava liberdade. Ainda no início da década de 1990, decidiu realizar sua primeira grande aventura: sair de Brasília rumo a Teresina, no Piauí, em um ônibus da tradicional empresa Transbrasiliana. Naquela época, viajar de ônibus era muito diferente dos dias atuais. Os veículos não possuíam ar-condicionado, e as grandes janelas de correr permaneciam abertas durante quase todo o percurso para amenizar o calor.
No dia da partida, Abraão chegou cedo à rodo ferroviária de Brasília no cruzeiro. Levava apenas uma mala pequena, muita curiosidade e a ansiedade de quem viveria pela primeira vez uma longa viagem interestadual. Assim que o ônibus deixou a capital federal, ele escolheu um lugar ao lado da janela. O vento quente batia em seu rosto enquanto observava a paisagem do Cerrado passar lentamente. A cada cidade, novos passageiros embarcavam e outros desciam. As conversas surgiam naturalmente entre pessoas que, até poucas horas antes, eram completas desconhecidas.
A viagem estava longe de ser confortável. Grande parte das rodovias era estreita, cheia de buracos e remendos. O ônibus balançava sem parar, obrigando os passageiros a se segurarem nas poltronas durante muitos trechos. Em alguns momentos, a poeira das estradas invadia o interior do veículo pelas janelas abertas, misturando-se ao calor intenso do interior do Brasil. Dormir era difícil, mas Abraão não reclamava. Para ele, cada quilômetro percorrido era uma nova descoberta e uma lembrança que levaria para o resto da vida.
As paradas para alimentação também eram uma aventura. Os restaurantes de beira de estrada ofereciam refeições simples, muitas vezes preparadas horas antes. O arroz estava frio, a carne nem sempre era macia e o café parecia ter ficado tempo demais na garrafa térmica. Mesmo assim, aqueles pratos tinham um sabor especial para quem estava vivendo sua primeira grande viagem. Entre um gole de café e outro, Abraão conversava com caminhoneiros, famílias e outros viajantes, ouvindo histórias de lugares que ainda sonhava conhecer.
Depois de muitos dias enfrentando estradas esburacadas, calor, poeira e o cansaço da longa jornada, o ônibus finalmente chegou a Teresina. Ao descer na velha rodoviária, Abraão percebeu que aquela viagem havia mudado sua maneira de enxergar o mundo. Ele descobriu que o destino era importante, mas que o verdadeiro encanto estava no caminho, nas pessoas encontradas, nas dificuldades superadas e nas paisagens vistas pela janela aberta do ônibus. Naquele momento, teve certeza de que viajar seria sua maior paixão. Aquela aventura pela Transbrasiliana, entre Brasília e Teresina, foi apenas a primeira de muitas que ainda viveria pelas estradas do Brasil.
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